sábado, 9 de maio de 2009

Os riscos de tentar emagrecer com pílulas naturais

 

Pílulas compostas por extratos vegetais prometem reduzir o peso, mas não há pesquisas que comprovem sua eficácia e há casos de graves efeitos colaterais. Confira uma lista com as principais substâncias encontradas nesses produtos e a opinião de médicos consultados por ÉPOCA

 

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EFEITO COLATERAL - Vendida no Reino Unido, a pílula Alli tem causado crises de diarreia em alguns consumidores

Na luta para perder peso, costuma valer tudo: exercícios físicos, dietas rigorosas ou remédios, muitos remédios. A oferta de medicamentos para emagrecer é enorme e qualquer novidade logo consegue adeptos. No Reino Unido, a pílula Alli, que acaba de chegar às farmácias, alega evitar a absorção de um quarto da gordura dos alimentos ingeridos. Mas a droga tem causado crises de diarreia e gases em quem ingere alimentos muito gordurosos depois de tomá-la.

Mas existe uma opção "natural" eficaz e sem risco de efeito colateral? Pílulas de extratos vegetais, como de laranja-amarga ou algas, são vendidas como "remédios naturais", sem necessidade de receita médica, e são muito procuradas porque parecem uma opção menos agressiva ao corpo. Aí está o problema.

Médicos endocrinologistas se opõem ao uso desses produtos porque faltam pesquisas que comprovem sua eficácia, além de muitos efeitos colaterais que podem surgir. Um deles é o efeito laxante dessas pílulas, que prometem acelerar o metabolismo, fazendo o corpo queimar mais calorias, e reduzir a ingestão de gordura. 

Por serem classificadas como suplementos alimentares, e não como remédios, essas cápsulas não precisam de prescrição nem são alvo de uma regulamentação rígida. Seus rótulos informam que elas devem ser consumidas em associação a tratamentos para perda de peso, com remédios indicados por um profissional e uma dieta balanceada. Ou seja, elas não funcionariam isoladamente para diminuir o peso. "È como uma pílula para matar a sede", diz Walmir Coutinho, endocrinologista e presidente da Federação Latino-Americana para o Estudo da Obesidade. "Só que, para tomar essa pílula, é necessário tomar um copo de água; ou seja, não é ela que mata a sede." Por isso, muitas vezes elas parecem dar resultado, quando a perda de peso foi causada por uma outra mudança de hábito.

Perigo na fórmula das pílulas

Segundo Coutinho, a composição desses produtos traz riscos por incluir medicamentos de uso controlado, como anfetaminas, diuréticos e hormônios. Em doses descontroladas, os hormônios, por exemplo, levam ao hipertireoidismo – distúrbio que pode causar taquicardia e levar à morte. Ele cita uma pesquisa feita pelo Instituto Adolfo Lutz, nos anos 90, com produtos vendidos como naturais para perda de peso. Metade das marcas tinha medicamentos na fórmula. "Quando desenvolvemos um remédio, na maioria das vezes ele vem de uma planta, mas não usamos suas folhas, e sim seu princípio ativo, que é o que importa para resolver um determinado problema", diz Coutinho, sobre a crença de que as pílulas são melhores apenas pelo fato de serem naturais. "Escolher esses produtos é jogar no lixo tudo o que a medicina já fez até hoje", diz.

A seguir, ÉPOCA selecionou as principais substâncias presentes nessas cápsulas de emagrecimento, listou suas promessas e pediu a opinião do endocrinologista Marcio Mancini, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

Ágar-ágar

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O extrato de algas marinhas é um laxante e também aumenta a sensação de saciedade. Como não é solúvel em água, "incha" e aumenta de volume, preenchendo mais o espaço do estômago. Mas essa sensação não é suficiente para ajudar no emagrecimento, pois nada garante que a pessoa vá comer menos, mesmo sentindo-se satisfeita.

Caralluma fimbriata

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O remédio derivado de um cacto encontrado na África e na Índia foi comercializado por muito tempo como uma solução para tirar o apetite, agindo no cérebro. Tribos nativas das regiões onde a planta é encontrada usavam-na para não ter fome durante longas caças. "Nada disso foi comprovado. Laboratórios farmacêuticos abandonaram as pesquisas com essa substância. Ela é inútil para o emagrecimento", afirma o médico.

Cáscara sagrada

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Planta medicinal, originária de florestas de coníferas dos Estados Unidos. Age no intestino contra prisão de ventre e tem efeito laxativo. Pode até causar perda de peso, mas por conta da desidratação. "Laxantes não devem ser considerados remédios para emagrecer. Esse tipo de substância alivia a constipação porque inflama o intestino", diz Mancini.

Cassiolamina

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Extrato do fruto da leguminosa Cassia nomame. Promete inibir a ação da enzima lipase, responsável por digerir a gordura que chega ao corpo por meio dos alimentos. Sem ser digerida, essa gordura seria eliminada. Segundo Marcio Mancini, não há estudos comprovando que uma substância natural como a cassiolamina tenha a mesma ação do orlistate, princípio ativo do remédio Xenical.

Citrus aurantium

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Extraído da laranja-amarga, teria a capacidade de acelerar o metabolismo e queimar gordura, além de ser fonte de vitamina C, que é um antioxidante. Além disso, ajudariam a aumentar a massa muscular. Esse extrato tem uma substância chamada sinefrina, e não há consenso de seus benefícios. Ela é similar à efedrina, proibida em alguns países por causar problemas cardíacos. Segundo Mancini, a sinefrina não aumenta as proteínas musculares nem estimula a liberação de adrenalina, como se acredita. E comer a própria laranja é a melhor forma de obter fibras e vitamina C.

Faseolamina

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Glicoproteína

retirada do feijão-branco. Promete favorecer o funcionamento do intestino com suas fibras solúveis, inibir a absorção de gordura e conter a elevação da glicose no sangue. Mas a quantidade de fibras seria pequena demais para a substância realizar tudo isso. A gordura não-absorvida é tão pequena que não faz diferença na perda de peso.

 

 

Matéria escrita por Thaís Ferreira, para o site da revista Época.

http://revistaepoca.globo.com/

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