terça-feira, 29 de setembro de 2009

Tendência para engordar?

Ela existe, sim, mas pode servir como muleta para não começar a emagrecer

Por Vladimir Maluf

A famosa genética influencia também no peso. Não é de hoje que se ouve falar em tendência para engordar, e ela realmente castiga muita gente. Porém, cuidado para não usar isso como desculpa para continuar a comer sem controle. A hereditariedade pode ser responsável por facilitar o ganho de peso, mas todo mundo consegue emagrecer, se quiser. Basta conhecer seu corpo e as limitações na alimentação.
O primeiro passo é prestar atenção nos pais e familiares. Se forem gordinhos, é bem provável que os filhos tenham propensão para acumular gordura corpórea. Uma outra maneira é fazer um exame para descobrir o índice glicêmico, em relação ao teor de insulina produzido pelo pâncreas.
A endocrinologista e nutróloga Vania Assaly afirma que há duas formas de tendência. “Existem as pessoas com padrões genéticos de obesos e outras que têm mais prazer por comer”, explica.

Uma forma de controlar o peso é diminuir o consumo de carboidrato refinado (açúcares e farinhas), defende a profissional. “Quanto mais açúcar, mais insulina o pâncreas libera, o que provoca os genes da obesidade, que estimulam a pessoa comer em excesso”.

Para o médico que dirige o setor de psiquiatria e transtornos alimentares da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), Adriano Segal, é preciso conscientizar- se que, se há mesmo essa tendência, o paciente precisa mudar seus costumes. “Quem quer emagrecer e tem propensão a ganhar peso nunca vai poder comer do jeito que gosta”, diz. Ele aconselha que, antes de iniciar a dieta, a pessoa deve traçar um objetivo possível, para não desanimar.

Os bons hábitos alimentares devem começar desde a infância, como todos já sabem. No caso de uma família de gordinhos, a atenção é redobrada.
“Cuidado com as mesas fartas, com ofertas em demasia. O consumo de alimentos gordurosos e calóricos deseducam a criança”, previne Vania Assaly. “Os pais devem estimular os filhos a brincar e fazer atividades esportivas e artísticas”, ensina ela, complementando que a receita também vale para os adultos, para que aliviem de outro modo a ansiedade, ao invés de descontar na comida.

Educando as células


“O corpo precisa ficar, pelo menos, dois anos para se habituar à magreza. As células de quem tem tendência para engordar armazenam gordura, tentando voltar ao padrão de quando o indivíduo estava gordinho, pois, para o organismo, isso é o que parece saudável”, argumenta a endocrinologista. “Só depois desse período o corpo reconhece o novo padrão e percebe que, mesmo assim, se manteve saudável”, conclui a médica. Para Adriano Segal, esse tempo deve ser ainda maior que dois anos. “Depende muito da pessoa. É difícil definir o quanto é certo”, afirma Segal. “Quanto mais tempo a pessoa conservar-se magra, melhor para o organismo assimilar o novo peso”, destaca ele.

Propensão ou maus hábitos?
Entre os pacientes de Adriano, 90% comem de forma inadequada. Sejam eles vítimas ou não de tendência para acumular gordura. “A grande maioria deles come errado, sim. Porém, muitos engordam ainda mais do que deveriam”, relata o psiquiatra. É muito fácil colocar a culpa na questão genética depois de detonar um prato de feijoada com chocolate de sobremesa. É necessário adquirir consciência para distinguir o que é problema do que é desculpa esfarrapada.

“Uma pessoa pode ter predisposição para engordar, mas ela não tem tendência a comer chocolate. Quem sente mais fome, pode saciar isso com alimentação saudável”, diz Vania. Decidir, verdadeiramente, emagrecer pode ser mais difícil e demorado do que acompanhar uma dieta. Vire a mesa e comece já a mudar seus hábitos.

Mulheres X Homens
Mais uma vez, os homens levam vantagem em relação às mulheres quando o assunto é emagrecimento. A tendência para engordar é muito mais comum no sexo feminino. Isso acontece por um motivo simples: elas têm mais hormônios que armazenam gordura. “Especialmente no período pré-menstrual, a mulher retém líquidos e nutrientes, assim, caso ela engravide, o corpo terá uma reserva para alimentar o futuro bebê”, afirma a médica. “Além disso, as mulheres tem menos músculos e queimam gorduras com mais dificuldade”, complementa.

COMIDA NÃO É TROFÉU
Depois de trabalhar o dia inteiro, dá vontade de chegar em casa, colocar as pernas para cima e assistir um pouco de TV devorando um chocolate, com a frase que serve de alento: “eu mereço”. Está errado! Comida não é prêmio e nem consolo para as dificuldades diárias. “Muita gente associa o alivio das tensões do dia-a-dia à comida e está ensinando ao cérebro que isso é correto. Toda vez que houver alguma insatisfação, de forma inconsciente, a mente vai pedir alimento, pois foi habituada a essa condição”, avisa Vania, que finaliza dizendo que associar alimentação à compensação é o mesmo que fumar, beber ou usar drogas.

Fonte: Revista Dieta Já Ed. 124

Fotos: Getty Images

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