domingo, 1 de novembro de 2009

Gostar do corpo interfere na qualidade de vida?

 

Conheça a resposta para essa pergunta, dada por uma psicóloga especialista em tratamento de obesos, e conheça a terapia corporal

Elisângela nunca tinha sido a mais bonita da turma na escola, mas, isso não a impediu de estudar, casar e ser mãe. No entanto, todas essas funções acumuladas estavam, ultimamente, deixando-a sem tempo para nada. Entre uma obrigação e outra algumas vezes, quando lhe sobrava tempo, voltava para casa pela rua paralela, onde podia ver algumas vitrines e esquecer-se dos problemas. Hoje, foi diferente: algo lhe chamou a atenção e a deixou hipnotizada em frente a uma vitrine.

Desta vez não eram os vestidos que sempre a agradaram, porém, estava, na verdade, perplexa com a imagem que o vidro refletia. Não podia ser ela! Aquele cabelo desajeitado, sem tintura ou corte há meses, no rosto o hábito de usar rímel havia se perdido no tempo, suas roupas não tinham qualquer harmonia entre si, mas, o que mais a incomodava, era ver que seu corpo havia perdido as curvas femininas.

Ser ou se sentir belo interfere na qualidade de vida?

A beleza e a aceitação estão associadas desde a nossa infância. Já é possível observar nos contos de fadas que princesas são lindas, enquanto bruxas, demônios e vilões são desprezíveis e feios. Esses conceitos marcam toda nossa vida de relação, sexualidade, trabalho, educação, etc. A base da expressão vida de relação é a imagem que o indivíduo tem de si mesmo e que, a partir daí, irradia para o resto de sua vida. Portanto, se isso vai mal o resto vai mal também.

A obesidade tornou-se um critério cultural determinante de feiúra e, conseqüentemente, o corpo do obeso é visto como uma massa que tem que ser diminuída, daí o motivo da rejeição. O corpo de uma pessoa obesa é percebido por ela como fonte de angústia, vergonha, mal estar e desprazer, pois é a projeção da sombra, ou seja, daquilo que deveria se manter oculto. Assim, o papel da terapia corporal é trabalhar a relação do obeso com o próprio corpo, sem ter como foco central o emagrecimento, mas, sim, um olhar amoroso de seu mecanismo peculiar. A proposta é aproximá-lo de seu corpo para então se tornar mais consciente dele, além de ser uma chance de vivenciar experiências diferentes das citadas acima.

Uma das propostas do trabalho é o toque que, segundo o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, significa pôr a mão em, ter contato com, comover, tomar sentido ou consciência de. No entanto, para que o toque não seja sobrecarregado, é necessário que levemos em conta toda a culpa e preconceitos sofridos pelos obesos. Tudo faz com que o obeso se distancie do próprio corpo, que está atrelado a vivências negativas. Por isso, muitas vezes evita se olhar no espelho ou mesmo subir na balança, já que quando o regime fracassa as conseqüências vão além dos números.

 

Consciência corporal

A consciência corporal também é importante para que o indivíduo possa estabelecer compromissos viáveis para si mesmo. É muito comum esse sujeito se decidir a fazer uma rígida dieta, que inclui um cardápio com folhas de alface e caminhadas cinco vezes por semana, e se sentir muito frustrado por não conseguir cumprir suas metas. Será viável para alguém, que durante dez anos vem comendo sem nenhuma restrição alimentar, tornar-se um herbívoro? E para uma pessoa sedentária, é possível iniciar a atividade física caminhando cinco vezes por semana?

Para o obeso não é óbvio que ele está traçando metas que não pode alcançar. Essa é outra importância desse trabalho de sensibilização psicofísica, tentando evitar o fracasso e a tendência à paralisia, auxiliando-o a escolher objetivos mais reais.

Existem muitos exemplos de como a aproximação com o corpo pode acontecer, mas costumamos sugerir, no início dos atendimentos, que as mulheres resgatem o zelo consigo mesmas, usando cremes hidratantes corporais, fazendo as unhas ou outros cuidados pessoais, pois acreditamos que a vaidade e a feminilidade estão adormecidas nesse tipo de condição.

A cena inicial, que descreve Elisângela, é o que acontece com muitos pacientes que nos procuram, qual seja, um distanciamento do próprio corpo. Notamos que, ao acolher essa dificuldade, abrimos a possibilidade destes indivíduos se verem e serem vistos com outras potencialidades, além do corpo pesado. As conseqüências são uma adesão maior ao programa de emagrecimento e uma menor estagnação em seu peso, já que a trama da obesidade é o espelho da vida.

Ana Carolina Melillo Lourenção
Psicóloga formada pela PUC-SP, especialista em técnicas corporais, coligadas à Teoria de C.J. Jung.

 

FONTE: http://itodas.uol.com.br/

Um comentário:

  1. Linne, adorei o post. realmente precisamos prestar atenção no cuidado que a gente dedica ao nosso bem estar e à nossa auto-estima. o equilíbrio da vida não está completo sem que estejamos em paz com o nosso corpo, que é o nosso templo!

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