quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Nossa tradução do chá verde

 

 

Existe um equivalente ao chá verde do outro lado mundo – e ele está bem aqui. É o chá-mate!

Os primeiros felizardos a descobrir as propriedades estimulantes digestivas da erva-mate foram os incas, no Peru. No Brasil, os indícios mostram que os índios guaranis, que habitavam próximo ao rio Paraná na época da colonização, já a utilizavam em larga escala. Eles a chamavam de caá- (“água de erva saborosa”) e diziam que seu uso havia sido transmitido por Tupã, um deus indígena. A forma de consumo – a infusão das folhas, tomada em uma cuia por meio de um canudo – pode bem ter dado origem ao chimarrão.


Da região, a erva se espalhou pela América e ganhou importância. No livroComida e Sociedade – Uma História da Alimentação (ed. Campus), Henrique Carneiro conta que erva-mate já foi descrita como uma “floresta inteira concentrada em algumas gotas”. Isso lá pelos idos do século 16. Na época, a planta possuía alto valor econômico e cultural na bacia do Prata e na Região Sul do Brasil. Séculos mais tarde, o mate começa a chamar a atenção pelo seu desempenho na saúde.


“O chá-mate possui as mesmas potencialidades dos chá verde e preto. A diferença é que sua importância está sendo pesquisada há menos tempo. Cerca de dez anos”, diz a professora Deborah Helena Markowicz Bastos, do departamento de nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e uma das pesquisadoras da planta no Brasil, em parceria com a Universidade São Francisco.

PODER ANTIOXIDANTE

Segundo a especialista, assim como a Camellia sinensis, o nome científico do aclamado chá verde, a erva-mate é rica em polifenóis, uma classe de substâncias antioxidantes capazes de seqüestrar os radicais livres, aumentando a proteção do corpo contra doenças degenerativas e alguns tipos de câncer, é altamente digestiva, pois aumenta a produção da bile, e estimula o sistema nervoso central – o que torna a bebida uma boa opção para o café da manhã.


A ação estimulante se parece com a do café e dos chás verde e preto por causa de componentes como a cafeína e a teobromina. Essas substâncias ajudam a diminuir a absorção de gordura no intestino e colaboram no emagrecimento.


Os estudos em seres humanos são escassos, no entanto. Um deles foi realizado pelo bioquímico Edson Luiz da Silva, professor do departamento de análises clínicas da Universidade Federal de Santa Catarina. Ele é autor de um dos poucos estudos sobre a erva-mate na prevenção e no tratamento de aterosclerose (a formação de placas de gordura nas artérias) e confirmou a forte ação antioxidante do chá-mate em uma pesquisa com 12 voluntários. Eles tomaram meio litro da infusão das folhas secas e moídas da ervamate. Após uma hora, o pesquisador colheu amostras de sangue e detectou uma redução das atividades oxidantes no sangue (a média de 65% de redução), o que evita o mau colesterol. Os resultados foram comparados com o sangue coletado antes da ingestão do chá.


“É importante salientar que esse estudo analisou o comportamento do sangue após uma única ingestão de erva-mate. Considerando que normalmente as pessoas que tomam chimarrão o fazem constante e diariamente, é preciso avaliar o que acontece após um longo período de tempo de consumo”, afirma Edson.


Certo. Apesar de as qualidades antioxidantes do chá mate estarem bem fundamentadas, deve-se tomar cuidado na dose. Toda planta de efeito medicamentoso tem de ser ingerida com moderação. A professora do curso de nutrição Deborah Bastos afirma que as infusões de plantas, de maneira geral, não podem ser consumidas muito quentes a ponto de causar desconforto. Ela se refere ao fato de que existem relatos de câncer de boca, laringe e esôfago em consumidores de chimarrão, os quais estão associados às altas temperaturas da bebida. “Na Ásia, também há uma alta incidência de câncer de laringe em consumidores de chá verde que acabam utilizando a infusão muito quente”, compara. Outro alerta fica para quem consome a bebida em exagero – os gaúchos costumam tomar entre 2 e 3 litros por dia.
“Dá muito bem para criar o hábito de consumir pelo menos um copo de chá-mate com limão, em vez de um de refrigerante durante as refeições”, afirma Deborah.

DESEMPENHO DO CHÁ

O bom chá-mate também é um aliado e tanto na cozinha. A nutricionista Neide Rigo, de São Paulo, usa o chá para fazer bolo. “É só substituir o leite ou a água da receita pela mesma quantidade de chá preparado mais forte. Fica ótimo”, diz.
Outra sugestão da especialista: misturar o mate gelado com um suco de frutas (limão, laranja, tangerina, maracujá) ou bater com fatias de abacaxi ou pêssego. Se quiser sofisticar, prepare o chá com outros aromatizantes – casca de laranja ou tangerina, dentinhos de cravo, sementinhas de cardamomo, anis-estrelado, erva-doce e hibisco são boas opções. Isso é o que se chama de blend!

 

CURIOSIDADE

Para quem está acostumado com as imagens dos campos de chá verde, um arbusto de cerca de 1 m de altura, a árvore de erva-mate surpreende. A Ilex paraguariensis (o nome científico do mate) pode atingir até 15 m de altura, tem caule cinza, folhas ovais e um fruto pequeno verde ou vermelho-arroxeado.
É fácil preparar o chá-mate vendido na versão em pó. Basta adicionar uma colher de sopa do produto a meio litro de água quente. Misture, espere a erva baixar e coe. Está pronto.

 

 

Fonte: http://bonsfluidos.abril.com.br/

Um comentário:

  1. pq vcs nao falam sobre o material e cores usadas pelos indiginas

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