quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O papel da mídia na obesidade infantil


Todos os dias somos bombardeados por mensagens de diversos veículos da mídia, as quais procuram seduzir novos consumidores, exigindo constantemente nosso senso crítico para a tomada de decisões. Na infância essa ferramenta não está completamente madura, tornando as crianças mais vulneráveis a tais apelos comerciais.

Apesar dessas considerações, as crianças são abordadas como consumidores ativos, com publicidade voltada diretamente para esse público, pois a sua capacidade de influenciar o núcleo familiar é muito grande.

De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2008-091, 34,8% dos meninos e 32% das meninas de 5 a 9 anos têm excesso de peso, e 16,6% e 11,8%, respectivamente, são obesas.

Vários fatores podem estar na gênese da obesidade, no entanto mudanças no estilo de vida e nos padrões alimentares poderiam explicar esse crescente aumento de obesidade nos últimos anos - como a redução da atividade física, o consumo de alimentos muito calóricos e de baixo valor nutricional, e a exposição excessiva da criança à mídia.

As primeiras experiências são fundamentais na formação de preferências alimentares individuais, uma vez que os seres humanos possuem uma predileção inata pelo sabor doce, alimentos ricos em gordura e alimentos salgados, além de uma relutância em experimentar alimentos desconhecidos.

Assim, as crianças aprendem sobre os alimentos que gostam ou não por meio da variedade de alimentos à qual elas são expostas, observando e vivenciando as consequências e vantagens de consumí-los.

Atualmente as mensagens comerciais estão formando a memória em relação aos alimentos mais do que a própria experiência de prová-los. Os produtos alimentares ocupam a maior parte do tempo dedicado à publicidade na televisão, em canais que a maioria das crianças assiste, e aproximadamente 60% dos alimentos anunciados são de baixo valor nutritivo.

Tais alimentos estão associados muitas vezes a brindes, jogos e embalagens atrativas que instigam o consumo, mesmo sem apetite, e podem representar para a criança uma forma de recompensa por ter consumido aquele produto - mesmo que esse não traga nenhum benefício para sua saúde.

Dados revelam que bastam 30 segundos para as crianças serem persuadidas por um comercial de alimentos.

A inconsequência do marketing infantil acaba por transformá-las (aproveitando-se das fantasias infantis) em promotoras de vendas junto aos pais, fazendo com que elas desejem com tanta intensidade que acabam convencendo os pais da necessidade daquele produto.

Deste modo, no desejo dos pais de verem os filhos felizes, as relações afetivas passam a ser mediadas pelas relações de consumo e as crianças passam a valorizar o que tem materialmente, e não mais o que são de fato.

A responsabilidade da influência da mídia no aumento da obesidade infantil seria da indústria de alimentos, pelo abuso publicitário de mercadorias focadas no público mirim? Ou seria dos pais, por não controlarem adequadamente o acesso das crianças à TV e aos alimentos?

As crianças são dependentes e cabe aos pais despertar o senso crítico delas para defendê-las dos apelos da publicidade.

Os pais devem ser orientados acerca da importância de opor-se à publicidade voltada às crianças, devem ser incentivados a participar da vida dos filhos e a desenvolver o senso crítico juntos.


Fonte: Abeso

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