quinta-feira, 31 de maio de 2012

Cinco perguntas-chave para emagrecer mais rápido

Acabar com o excesso de peso nem sempre se resume a reduzir porções de comida e fazer exercícios. Desequilíbrios relativamente frequentes podem boicotar o sonho de uma barriga chapada. Por isso, conheça questões cruciais de saúde que você deve discutir com seu médico ao ingressar em um programa de emagrecimento

A receita para emagrecer parece simples. Em regra, ingerir menos calorias do que se gasta seria o suficiente para exterminar as dobrinhas indesejadas. Mas o organismo, em sua complexidade, necessita de equilíbrio em uma gama de hormônios e mecanismos fisiológicos para que o gasto energético se dê de maneira eficiente. "E qualquer alteração nesse sistema pode, sim, empacar o objetivo de enxugar a cintura", confirma o endocrinologista Renato Zilli, do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo.
Pensando nesse impasse, a Sociedade Americana dos Médicos Bariátricos acaba de divulgar um alerta com cinco questões que devem ser discutidas com um especialista na hora de traçar uma estratégia para afinar a silhueta. As perguntas abordam desde a aptidão de o indivíduo se exercitar até problemas de saúde que podem contribuir para a manutenção dos quilos a mais.
É claro que a investigação desses cinco pontos-chave ficará a critério do médico, com base na análise do seu histórico. Em caso de suspeita, muitas vezes ele poderá lançar mão de exames de sangue ou até de imagem. "Mulheres obesas e com casos de doença de tireoide na família, por exemplo, são mais propensas a distúrbios hormonais. Por isso devem ter suas taxas avaliadas e, se necessário, se submeter a um ultrassom da glândula", exemplifica Zilli. "Já aos pacientes diabéticos que não costumam se expor ao sol, podemos solicitar a dosagem de vitamina D, envolvida no controle dos níveis de açúcar no sangue", continua a nutricionista Ligia Martini, da Universidade de São Paulo. Tenha em mente que esses pequenos desajustes são obstáculos na batalha contra o sobrepeso. E resolvê-los pode acelerar à beça a conquista de um novo corpo.

1. SERÁ QUE ESTOU PRONTO PARA UM PROGRAMA DE EXERCÍCIOS REALMENTE EFICAZ PARA QUEIMAR CALORIAS?
Para ingressar na atividade física, não basta levantar do sofá e se matar de correr na esteira. O sobrepeso acarreta problemas que precisam ser levados em conta antes do início do treino. "O indivíduo obeso deve passar por uma consulta médica que identifique lesões ortopédicas — principalmente artrose nos joelhos e quadris —, hipertensão e outras doenças cardiovasculares", avisa o bioquímico Roberto Burini, coordenador do Centro de Metabolismo em Exercício e Nutrição da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu, no interior de São Paulo.
Outra precaução importante é uma análise postural, realizada por um fisioterapeuta ou educador físico. "A obesidade modifica o centro de gravidade do corpo, acarretando encurtamentos musculares, dores e sobrecarga nas articulações", justifica Burini. Só então, com base nas eventuais limitações diagnosticadas, os especialistas definem o treinamento mais adequado, com adaptações seguras que favoreçam pra valer o gasto calórico. Com o coração em ordem e os músculos devidamente alongados, fortalecidos e protegidos, a meta é aumentar a intensidade do exercício aos poucos, até atingir, pelo menos, 30 minutos diários de uma caminhada rápida, por exemplo.

A própria obesidade ou certos hábitos dos gordinhos podem favorecer uma deficiência de vitamina D e a resistência à insulina — condições que, por sua vez, dificultam ainda mais a eliminação dos quilos excedentes

2. TENHO RESISTÊNCIA À INSULINA?
Muito comum em pessoas acima do peso, essa disfunção destrambelha todo o metabolismo. Em situações normais, a insulina, hormônio secretado pelo pâncreas, coloca o açúcar para dentro das células, transformando-o em energia. Mas os quilos extras impedem a substância de se conectar direito aos receptores celulares e, dessa forma, realizar seu trabalho. "Aí, o pâncreas passa a fabricar mais insulina, e a quantidade excessiva do hormônio promove o acúmulo de gordura nos tecidos", explica o endocrinologista Renato Zilli. Sem contar que a insulina é responsável por enviar sinais de saciedade para o cérebro. Por isso, quando ela não consegue agir corretamente, a consequência é uma fome desenfreada.
A atividade física aeróbica é a primeira sugestão para contornar o problema. "Meia hora de exercícios mantém os níveis do hormônio reduzidos por até 24 horas", garante Zilli. "Outra dica é controlar o índice glicêmico (IG) dos alimentos, isto é, optar por aqueles que são mais lentamente absorvidos pelo corpo, como os cereais e pães integrais", recomenda a endocrinologista Sandra Villares, do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo. As formas de preparo da comida também devem ser levadas em conta. "A cenoura cozida, por exemplo, apresenta um IG alto, enquanto na crua ele é bem baixo", afirma. Acesse www.revistasaude.com.br e conheça outras estratégias culinárias como essa.

3. COMO ESTÃO MEUS NÍVEIS DE VITAMINA D?
Descobertas recentes dão conta de que o nutriente interfere na briga com a balança. Pesquisadores da Universidade Complutense de Madri, na Espanha, dividiram 61 mulheres em dois grupos, e cada um deveria aderir a uma dieta pobre em calorias, sendo uma delas fortificada com vitamina D e a outra cheia de verduras e frutas. "Ao final de duas semanas, notamos uma tendência muito maior de perder peso em quem ingeriu a vitamina", conta a SAÚDE Rosa Ortega, líder do experimento.
Já se sabe que a maior parte da vitamina D é produzida no organismo a partir do estímulo dos raios solares. "Acontece que as pessoas acima do peso, envergonhadas e com baixa auto-estima, tendem a cobrir mais o corpo e a fazer menos atividades ao ar livre, o que prejudicaria a fabricação da substância", especula Ligia Martini. "Só que a vitamina D participa da secreção da insulina e favorece sua ação de transformar açúcar em energia", explica a nutricionista. A carência do nutriente, portanto, atrapalharia o gasto energético.
Se o médico suspeitar de deficiência, a solução é simples. "Aumente o consumo de alimentos fortificados com a vitamina, como alguns leites e iogurtes, além de peixes e cereais integrais", ensina a pesquisadora. E o principal: faça uma caminhada diária a céu aberto, por pelo menos 15 minutos, com braços e pernas descobertos.

4. QUAIS DOS MEUS HÁBITOS PODEM SABOTAR MEU ESFORÇO PARA REDUZIR AS MEDIDAS?

Viver estressado, acredite, é um atentado à boa forma. "O cortisol, hormônio liberado pela glândula suprarrenal, é produzido em maior quantidade quando estamos sob tensão. E uma de suas funções é induzir a economia de gordura", explica o psiquiatra Arthur Kaufman, coordenador do Projeto de Atendimento ao Obeso do Hospital das Clínicas de São Paulo. Ou seja, o corpo deixa de derretê- la toda vez que precisa de energia. Sem contar que muita gente desconta o nervosismo na geladeira. O melhor, segundo o médico, é buscar válvulas de escape, como ioga, dança, leitura de um livro ou outra atividade de lazer.
livro ou outra atividade de lazer. Ficar em jejum por muito tempo ou comer fora de hora são outros costumes de quem vive no maior nervosismo e que são capazes de empacar o emagrecimento. "O ideal é se alimentar de três em três horas, mastigando bem, para promover saciedade e manter estáveis os níveis de insulina, evitando picos típicos da abstinência, os quais levam ao acúmulo de gordura", ensina Renato Zilli. "Além disso, deve-se dormir direito e evitar petiscos na madrugada", completa. Afinal, é nesse horário que o metabolismo se dedica à torra dos estoques gordurosos guardados durante o dia. A última dica é — vale sempre repetir — botar ação na rotina. Deixe o carro na garagem para andar ou pedalar pelo bairro, troque o elevador pela escada, não fique muito tempo sentado...

5. ATÉ QUE PONTO MINHA TIREOIDE PODE ATRAPALHAR A DIETA?

Localizada no pescoço, essa glândula controla, por meio de seus hormônios — tiroxina (T4) e tri-iodotironina (T3) —, o ritmo de funcionamento do corpo todo. "Em níveis adequados, o T3 e o T4 induzem a queima de gordura nos adipócitos, células que armazenam essas partículas", explica Sandra Villares. Mas há casos em que a tireoide fica preguiçosa e o metabolismo trabalha vagarosamente.
Trata-se do hipotireoidismo, doença que costuma ser provocada por um ataque do sistema imunológico contra a glândula. Dessa forma, é necessário apelar para o uso de hormônio sintético. "Vale enfatizar, porém, que apenas 5% dos obesos padecem da disfunção", diz Sandra. Há, ainda, os casos subclínicos, em que se detecta discreta deficiência hormonal, dentro dos padrões normais. Ok, a glândula está normal, mas a perda de peso se torna lenta. Haja força de vontade!
Aí, o melhor é cuidar da tireoide para ela não pifar de vez. "Dormir bem, combater o estresse e o cigarro preservam a glândula", garante Zilli. E o mais importante: manter o sal, mesmo que em doses comedidas, na alimentação. Ele contém iodo, indispensável para a fabricação dos hormônios. Por fim, fuja das dietas muito restritivas. "A carência de minerais como o zinco, dos frutos do mar, e o selênio, das castanhas, é nociva à tireoide", avisa Zilli. Ou seja, quem exagera na hora de fechar a boca pode ficar sem essas substâncias e disparar um tiro pela culatra.

Não raro os obesos apresentam níveis mais altos de TSH, hormônio produzido no cérebro e que estimula a tireoide. Isso não significa, necessariamente, um distúrbio na glândula, e sim uma tentativa do corpo de acelerar o metabolismo em resposta ao excesso de peso. Os níveis hormonais tendem a se normalizar com o emagrecimento

 

FONTE: http://saude.abril.com.br/

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