terça-feira, 3 de julho de 2012

A diferença entre intolerência e alergia alimentar

 

Entenda a diferença entre alergia e intolerância alimentar que, apesar de parecidas, tem uma origem bem distinta...

alergia ou intolerancia

Alergia ou intolerância: você sabe a diferença entre elas?

 

Dor no abdome, gases, diarreia e até problemas respiratórios.Alergia ou intolerância alimentar? Pode ser tanto uma coisa quanto a outra. Antigamente, pouco se ouvia falar sobre a talintolerância alimentar. Agora, não é difícil escutar alguém dizendo que tem o problema. No entanto, muitas vezes ele pode ser confundido com uma reação alérgica. Embora os sintomas sejam bastante parecidos, esses fenômenos tem uma origem bem distinta...

A alergia alimentar

Quando a pessoa tem alergia a algo, como o leite, seu organismo dispara uma reação defensiva ao entrar em contato com ele. Asubstância alergênica é, no geral, uma ou mais proteínaspresentes no alimento.

"Para a maioria das pessoas, a tal proteína é inofensiva. Mas, para outras, ela estimula a produção de um anticorpo chamado IgE, que gera uma reação inflamatória, a alergia", explica Angelo Leal, alergista e coordenador do departamento de pediatria do Hospital Quinta D’Or (RJ).

O leite tem em sua composição mais de 20 tipos de proteínas. As duas com maior potencial alergênico são a caseína e a alfalactoalbumina. As crianças são bem mais suscetíveis a esse tipo de alergia, pois a mucosa do intestino infantil é mais permeável, aumentando a chance de absorção dos alergênicos. Além disso, nos primeiros anos de vida o sistema imunológico ainda está em formação, podendo entrar em desequilíbrio com maior facilidade. Cerca de 6% das crianças menores de 3 anos e 3,5% dos adultos apresentam algum tipo de alergia alimentar.

A intolerância alimentar

Resumidamente, esse problema resulta da incapacidade do organismo de digerir algum componente do alimento que provoca a reação. Vamos continuar com o exemplo do leite, rico em uma substância chamada lactose.

Na superície da mucosa do intestino delgado há células que produzem uma enzima digestiva - um tipo de fermento - chamada lactase. Essa tem a função de digerir, ou seja, quebrar em pedaços menores a lactose. Pessoas com intolerância ao leite não produzem (ou produzem uma quantidade pequena) a lactase. A lactose, então, é mal absorvida e passa a ser fermentada no intestino, produzindo gases, diarreia e outros desconfortos.

Fique de olho nesses alimentos...

Alguns alimentos têm uma propensão maior a provocar alergias e intolerância. Saiba quais são e fique atenta às reações.

Alergia

alimentos que podem desencadear uma alergia

Leite, soja, ovos, tomate, amendoim, peixes e frutos do mar podem desencadear alergias

- Leite: a caseína e outras proteínas podem provocar dores no abdome, vômito, problemas respiratórios (rinite, asma), urticária e dor de cabeça.

- Soja: os sintomas são bastante parecidos com os da alergia ao leite, levando principalmente a dores no abdome, vômito, diarreia e urticária. A soja entra na composição nutricional de vários alimentos, o que torna diícil detectar a causa da alergia.

- Ovo: a principal proteína que provoca alergia é a albumina, presente na clara. É mais comum em crianças e pode provocar problemas respiratórios, eczema e urticária.

- Peixes e frutos do mar: os sintomas costumam aparecer até duas horas depois da ingestão. Incluem coceira, inchaço dos lábios e da faringe. Se a pessoa não for levada a um hospital imediatamente pode morrer.

- Tomate: as proteínas presentes na fruta podem causar azia e má digestão em pessoas sensíveis. Quando o tomate é processado, em molhos, por exemplo, diminui a incidência do problema.

- Amendoim: a reação é muito rápida, podendo levar à morte se não for tratada de imediato. Os sintomas incluem urticária, edema da glote e até o choque anailático, que impede a respiração.

Intolerância

alimentos que podem desencadear uma intolerancia

Leite, glúten, crustáceos, conservantes e corantes podem provocar intolerância

- Leite: os sintomas são bem parecidos com o da alergia - dor no abdome, problemas respiratórios, urticária, dor de cabeça -, mas aparecem em longo prazo, com o consumo contínuo.

- Glúten: está presente no trigo, na aveia, na cevada e no centeio. A intolerância a essa substância é chamada doença celíaca e causa problemas digestivos, perda de peso, erupções na pele, unha e cabelo quebradiços.

- Crustáceos: o responsável pela maior parte das queixas é o camarão. Ao contrário da alergia, que pode até matar rapidamente, o efeito no caso da intolerância é acumulativo e provoca principalmente distúrbios gástricos e coceira na pele.

- Conservantes e corantes: é um caso bastante complicado porque elimina do cardápio praticamente todos os produtos industrializados. Os principais sintomas são latulência, dores agudas no abdome, além de diarreia.

Sintomas e tratamentos

Os sintomas das alergias e da intolerância são, no geral, muito parecidos. A diferença é que o daalergia surge quase que imediatamente depois do consumo do alimento, enquanto o da intolerância aparece quando a substância é ingerida repetidamente e se acumula no organismo.

O tratamento da alergia depende de como ela se manifesta. Se for aguda e provocar o fechamento da glote, é preciso correr para o hospital para que a pessoa tome um antialérgico. Se for mais branda, asupressão do alimento é a melhor forma de combatê-la.

Essa segunda situação vale também para a intolerância. O alimento que a provoca deve ser suprimido do cardápio antes que cause um mal maior, comprometendo o funcionamento do organismo como um todo. Para alguns casos específicos, é possível tomar um medicamento, que ajuda bastante.

É o caso da intolerância à lactose. Existe um suplemento alimentar que contém lactase, a proteína que falta no organismo de quem sofre com esse problema. Trata-se do Lactaid, um produto importado que deve ser tomado juntamente com as refeições. Por ser um suplemento, ele é vendido livremente nos Estados Unidos. No Brasil, porém, só com receita médica.

 

Detectando o problema

Muitas vezes não é fácil encontrar o que está causando o mal. "Para descobrirmos se a paciente temalergia a um alimento, o exame clínico é fundamental. Verificamos a presença de sintomas comunscomo chiado no peito, eczema, diarreia e inchaço no rosto", explica Danielle Kiertsman Harari, alergologista e imunologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Além da avaliação médica, estão disponíveis dois tipos de exames. O teste de Prick, ou teste cutâneo, pode ser realizado no próprio consultório. Nele, a pele é exposta a várias substâncias que normalmente provocam alergia para veriicar se há ou não sensibilização, que aparece em até 20 minutos. No laboratório também pode ser realizado o teste de Rast, que verifica a presença de anticorpos que reagem à presença de caseína ou outra proteína do leite.

Já com relação à intolerância, há um exame específico apenas para a lactose. Nesse caso, é feita uma biópsia do intestino para dosar a lactase, enzima que processa a proteína. No caso de a produção ser insuiciente, fica caracterizada a intolerância. Nos demais casos, o diagnóstico costuma ser feito poreliminação.

Nem sempre é "reação à primeira vista"...

Você sempre comeu amendoim e nunca teve nada. De repente, naquela festa, basta ingerir um grãozinho para começar a sentir um aperto na garganta, os lábios incharem... E a balada acaba no hospital. É assim mesmo, muitas alergias se desenvolvem já na idade adulta.

"Alguns alimentos têm proteínas muito semelhantes. Muitas vezes a pessoa é exposta a um determinado alimento e seu organismo fica sensibilizado a ele, mesmo que a alergia não apareça. Se for exposto a outro com uma proteína muito parecida, a alergia pode aparecer", explica Danielle Harari.

Aliás, não precisa nem ser alimento. Veja o caso da barata, por exemplo. Ela tem em seu corpo uma proteína chamada tropomiosina. Quem vive em uma casa com baratas pode ser exposto a essa substância pelo ar e não vai sentir nada. Mas seu organismo fica sensibilizado e passa a produzir anticorpos contra a proteína. Quando, mais à frente, essa pessoa comer camarão, que também tem tropomiosina em sua composição, pode apresentar alergia por culpa dos anticorpos produzidos.

A alergia não é apenas alimentar. E você certamente já deve ter sentido isso na pele. Não é mesmo?
Sabe aquele brinco de bijuteria que todo mundo usa, mas que parece fazer sua orelha pegar fogo? Muitas substâncias, como certos metais, ao entrar em contato com a pele de pessoas que já têm uma predisposição, disparam um processo alérgico. “É o que chamamos de dermatite de contato”, diz Danielle Kiertsman Harari, alergologista e imunologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Diferentemente do que acontece com o alimento, que provoca uma reação no organismo como um todo, no caso da dermatite o efeito é localizado. Surgem manchas vermelhas, coceira ou descamação exatamente na área de contato com a substância. Essa reação pode ser tardia, aparecer horas depois de o objeto ou a substância encostar na pele. As principais substâncias a provocar essa reação são cosméticos, borracha, metais e produtos de higiene pessoal e limpeza. Esse processo é exclusivamente alérgico, a intolerância não acontece por contato com a pele.

FONTE: Reportagem: Ivonete Lucírio - http://corpoacorpo.uol.com.br

 

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