terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Adoçantes sem segredos

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Eles são unanimidade na mesa de quem quer maneirar no açúcar. Por causa dos mitos que rondam seu consumo, SAÚDE elucida as dúvidas mais recorrentes

por Thais Manarini

 

Quando bate o desejo de levar uma vida mais equilibrada, a maioria das pessoas não demora a trocar o açúcar de mesa pelo adoçante. Aliás, do nicho de alimentos considerados saudáveis, ele é o que mais faz sucesso entre os brasileiros. Segundo levantamento da empresa de pesquisas Kantar WorldPanel, os edulcorantes — como também são conhecidos — marcam presença em 30,8% dos lares, seguidos por bebidas de soja (18%) e iogurtes funcionais (15%).
De olho nessa grande aceitação, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad) desenvolveu uma cartilha chamada Adoçantes — Tire Suas Dúvidas. Lançado em setembro, durante o XV Congresso Brasileiro de Nutrologia, em São Paulo, o material esclarece diversos questionamentos que o produto ainda gera, como seu papel no ganho de peso e até no surgimento de tumores. Para que as suspeitas não azedem sua relação com o substituto do açúcar, também abordamos algumas das dúvidas mais relevantes.

Para quem é recomendado

O adoçante artificial surgiu no início do século passado tendo como público-alvo a turma que tem diabete. é que os portadores dessa doença não produzem insulina, ou pelo menos resistem à ação desse hormônio, e, daí, o açúcar não adentra as células — fica boiando na circulação. “mas, aos poucos, o mercado se expandiu para atender também aqueles que desejam cuidar da forma física”, conta a bioquímica aureluce demonte, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade estadual de São Paulo. no caso dos alimentos industrializados, é preciso bastante atenção. “ao serem processados, muitos produtos perdem o açúcar e, no lugar, ganham mais gordura”, diz a bioquímica. Portanto, não confunda: o produto diet, que leva um adoçante em substituição ao açúcar natural, é indicado apenas para quem é diabético e não arrisca ficar com a glicose nas alturas. Já no produto light há uma diminuição de açúcar ou de gordura e, por isso, seu uso é aconselhado para o pessoal que segue uma dieta restritiva pelo bem da cintura fina.

As contraindicações

Alguns tipos de adoçante não são bem-vindos a grupos específicos. Um exemplo é o aspartame, que nunca deve ser consumido por quem tem uma doença genética chamada fenilcetonúria. “isso porque ele tem fenilalanina, um aminoácido que os portadores desse problema não conseguem metabolizar”, explica a nutricionista Juliana da Cunha, professora da Universidade Federal de Goiás. outros adoçantes, como a sacarina e o ciclamato, também devem ser vistos com cautela, sobretudo por hipertensos. isso porque a dupla carrega sódio na fórmula. Quando esse mineral se acumula no sangue, a pressão sobre as artérias sobe que nem foguete, aumentando o risco de complicações cardiovasculares. “as gestantes e crianças também precisam de orientação especial antes de usar qualquer tipo de edulcorante”, lembra a nutricionista nairana borim, do Hospital alemão oswaldo Cruz, em São Paulo.

Artificiais versus naturais
Adiferença entre as duas versões está, basicamente, na forma de obtenção. enquanto os adoçantes naturais são provenientes de plantas, os artificiais são produzidos quimicamente, dentro do laboratório. no quesito saúde, não se deixe enganar: nenhum deles é considerado mais benéfico. “ambos passam pelos mesmos critérios de análise antes de serem liberados para a população. Portanto, dá para dizer que todos são igualmente seguros”, afirma a nutricionista adriana alvarenga, representante da abiad, na capital paulista.

Engorda?

“Não. o ganho de peso é resultado de um descompasso entre a ingestão e o gasto de calorias”, sentencia aureluce demonte. ou seja: por si só, o consumo do adoçante não é capaz de fazer o ponteiro da balança disparar. ele até ajuda a desinflar os pneus, porque tende a reduzir o valor calórico dos alimentos. mas o bom senso é sempre bem-vindo. “de nada adianta usar o adoçante e comer em dobro”, diz veridiana de rosso, engenheira de alimentos e professora da Universidade Federal de São Paulo.
Vontade de atacar a geladeira
Algumas evidências apontam que o adoçante não é tão eficaz quanto o açúcar na hora de liberar estímulos relacionados à saciedade. assim, ao ingeri-lo, a tendência seria multiplicar as porções dos alimentos ou sentir uma vontade maluca de abocanhar doces. “o fato é que a composição total da dieta também interfere nessa resposta do organismo”, ressalta Juliana da Cunha. logo, é cedo para culpar os edulcorantes pelos surtos de gula. “muitas vezes, a pessoa come em maior quantidade por achar que pode compensar, e não por causa do adoçante em si”, pondera nairana borim.

Causa câncer?

Essa dúvida começou a amedrontar meio mundo quando foi divulgado um estudo associando o uso de sacarina a uma maior incidência de tumor de bexiga em cobaias. “isso, no entanto, nunca foi comprovado em seres humanos”, avisa aureluce demonte. Quem também se posiciona é adriana alvarenga: “além de serem feitas com animais, essas pesquisas normalmente utilizam uma dose enorme de adoçante, muito difícil de atingir no dia a dia”. as especialistas ainda frisam que o câncer é uma doença multifatorial — isto é, a combinação entre herança genética e exposição a agentes cancerígenos, por exemplo, tem influência no quadro. moral da história: não faz sentido, até o momento, culpar os emuladores do açúcar pelo desenvolvimento de um tumor.

O melhor adoçante

Como ficou claro, todos são livres de risco. então, ao julgar qual é mais vantajoso, geralmente são avaliadas características como sabor e versatilidade. nesses pontos, a sucralose parece ganhar. afinal, seu gosto é bem semelhante ao do açúcar, não deixa sabor residual, a solubilidade em água é alta, pode ir ao forno e é isenta de calorias. o ciclamato e a sacarina, por outro lado, fazem as pessoas de paladar mais sensível torcerem o nariz. Já o problema do aspartame é que não cai bem em receitas quentes: “em altas temperaturas, ele perde o poder de adoçar”, informa veridiana de rosso. essas e outras curiosidades sobre os adoçantes mais consumidos estão no quadro à direita.

Os principais tipos
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Fonte: http://saude.abril.com.br/emagrece-brasil

Fuja dos principais perigos na hora de enxugar as medidas

 

Cuidado com a pressa para perder peso. Alguns métodos podem colocar sua saúde em sério risco

Por Marcia Melsohn

fitas-chao-m Sabe aquelas pessoas que vivem descobrindo o melhor jeito de desinflar os pneus em tempo recorde? Elas muitas vezes emagrecem, mas logo recuperam o peso -- ou ganham até mais do que tinham no começo. Dos males, esse é, de longe, o menor. A maioria desses métodos milagrosos põe em risco a saúde do seu inocente e crédulo adepto.

"A primeira coisa que devemos levar em conta no processo de emagrecimento é a velocidade com que o nosso organismo queima gordura", diz Rodrigo Ferraz, pesquisador da Escola de Educação Física e Esportes da Universidade de São Paulo e especialista em treinamento esportivo. "Eliminar mais de um quilo por semana, na maioria das vezes, significa que estamos perdendo muito mais do que gordura", explica Ferraz.

"Quando não há tempo suficiente para se adaptar às mudanças, o corpo reage de forma negativa. E é assim que aparecem os problemas", atesta a nutricionista Catarina Stocco, que é especialista em nutrição clínica funcional em Curitiba, no Paraná. Segundo ela, a perda acelerada de peso pode comprometer o fígado, causar anemia, mal-estar e fraqueza e até pedras na vesícula.

Veja a seguir os principais erros cometidos por aí no afã de afinar a cintura:

Pular refeições e comer o mínimo possível
Aquele velho conselho de fechar a boca para emagrecer ficou pra lá de caduco. "Sem alimento, o corpo entende que o indivíduo está passando por um momento de necessidade e diminui o dispêndio de energia, armazenando mais gordura para usar quando requisitado", afirma Paula Crook, nutricionista da PB Consultoria, em São Paulo. "Precisamos nos alimentar a cada 3 horas para que os níveis de glicose no sangue fiquem sempre equilibrados e o metabolismo ativo", completa Paula. Além disso, ficar muito tempo sem comer pode provocar tontura, dor de cabeça e falta de concentração, entre outros inconvenientes provocados pela hipoglicemia, a queda das taxas de açúcar na circulação.

Dietas muito restritivas

Elas geralmente eliminam um ou mais nutrientes do cardápio e isso, claro, não é saudável. O correto é balancear a alimentação com carboidratos, proteínas e gorduras, escolhendo as melhores opções, nas quantidades adequadas. "A restrição faz o corpo entrar em desequilíbrio, dificultando a perda de gordura", diz Paula. Um dos maiores problemas que essas privações podem causar é a deficiência de minerais importantes como cálcio, ferro, magnésio e fósforo. Sem contar as vitaminas. Esses micronutrientes são fundamentais nas reações do metabolismo, inclusive na queima dos estoques gordurosos. "Além disso, que quem adota esses métodos radicais dificilmente consegue segui-los por muito tempo e acaba se deparando com o famoso efeito sanfona", diz Catarina Stocco.

Vômitos e uso de laxantes ou diuréticos

Estudos mostram que o vômito não faz a pessoa eliminar os quilos extras e não impede a absorção do que se ingeriu. "Ocorre apenas eliminação de água, o que ainda pode levar à desidratação", explica Paula Crook. O mesmo acontece com as pessoas quem lançam mão de laxantes e diuréticos para afinar a cintura. "Há perda de líquido e sais minerais, importantíssimos para o bom funcionamento do organismo", afirma Catarina. "Esses remédios podem provocar desidratação, redução dos níveis de potássio, cálcio e magnésio no sangue. O indivíduo pode apresentar arritmias cardíacas, fraqueza muscular e até ter uma parada cardíaca", conclui Paula.

Excesso de exercícios
"Praticar todos os dias o mesmo esporte gera fadiga osteomuscular e facilita o aparecimento de lesões", diz Rodrigo Ferraz. A falta de intervalo entre um treino e outro também é prejudicial. O processo anabólico - ganho de massa muscular, fortalecimento ósseo e perda de gordura - ocorre quando estamos descansando. Se não respeitarmos esse tempo, entramos em um processo inverso, que é conhecido como catabolismo. Nesse caso, perdemos massa muscular de maneira generalizada, inclusive cardíaca, e aumentamos o estímulo para o depósito de gorduras. De acordo com Ferraz, pode-se praticar atividade física vários dias seguidos, sim, desde que as modalidades e a intensidade sejam variadas. Por exemplo: segunda, musculação; terça, corrida mais longa; quarta, natação; quinta, musculação; sexta, corrida mais rápida com um tempo de duração mais curto; e sábado: natação. Domingo é descanso.

Medicamentos
Cuidado! Remédios para emagrecer só podem ser consumidos após avaliação médica e com prescrição. Muitos deles provocam sérios efeitos colaterais, como boca seca, insônia, taquicardia, ansiedade, constipação, suor excessivo, aumento da pressão arterial e esteatorreia (fezes com gordura). É muito importante pesar a relação custo-benefício se esse for o recurso a ser usado na perda de peso.

Atividade física em jejum
Malhar com o estômago vazio pensando em ter menos o que queimar é uma grande furada. Nenhuma máquina funciona sem combustível. E o do nosso corpo está nos alimentos. Sem eles, o organismo se defende reduzindo o tecido que gasta energia - leia-se músculo - e preservando as reservas, ou seja, gordura. Portanto, diferentemente do que muitos imaginam, o jejum engorda.

Ingestão de álcool
"A drunkorexia existe e está cada vez mais presente, principalmente entre as mulheres, que trocam refeições por bebidas alcoólicas", diz Paula Crook. Essa estratégia é perigosíssima, uma vez que diminui a oferta de substâncias essenciais para o bom funcionamento do organismo. O álcool fornece calorias (7 kcal/g), mas nenhum nutriente. São as chamadas calorias vazias. "Isso acarreta problemas gastrintestinais e até imunológicos, e deixa a pessoa mais vulnerável a doenças como pneumonia, tuberculose e até câncer", completa a nutricionista.

 

Fonte: http://saude.abril.com.br/emagrece-brasil

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